Zema diz que Polícia Federal poderá pedir à Justiça Militar depoimentos de militares que atuaram em Varginha

  • 23/06/2022
(Foto: Reprodução)
Declaração do governador aconteceu três dias após a data que começariam as oitivas em Belo Horizonte. Policiais Militares não comparecem para depor na Polícia Federal O governador Romeu Zema (Novo) afirmou, nesta quinta-feira (23), que a Polícia Federal (PF) poderá pedir à Justiça Militar os depoimentos dos militares que atuaram na ação que terminou com as mortes de 26 suspeitos de envolvimento em roubo a bancos, em Varginha, no Sul de Minas. A declaração ocorreu três dias após a data marcada para que a PF começasse as oitivas de 22 policiais militares na Superintendência da instituição, em Belo Horizonte. Agentes recuperaram armamentos e munições durante a ação em Varginha Divulgação/Polícia Militar  "Nós temos uma ocorrência que envolve militares, e a legislação fala que cabe a um Tribunal Militar fazer a investigação e isso está sendo conduzido. O depoimento que esses policiais fizeram à Justiça Militar pode, se a Polícia Federal solicitar, ser devidamente enviado à Polícia Federal. Eu saliento aqui que o estado tem todo interesse para que as apurações sejam feitas da maneira mais célere e mais aprofundada possível, disponibilizando dados", afirmou o governador.  Saiba quem são os 26 mortos em ação da polícia em Varginha Diante da recusa do Comando da PM, Polícia Federal vai intimar envolvidos na operação com 26 mortes em Varginha de novo Apesar da fala de Zema, o Tribunal de Justiça Militar atendeu parecer do Ministério Público e reconheceu que o caso é da Justiça Comum.  Com isso, o inquérito é de competência da PF, que vai intimar mais uma vez os envolvidos. Ficará a critério de cada um, na condição de investigado, comparecer ou não aos depoimentos. Nesta semana, 20 militares ignoraram a intimação da Polícia Federal. Nesta sexta-feira (24) são esperados os depoimentos de policiais rodoviários federais envolvidos na operação. Ao todo, 27 foram intimados. Investigações Ao todo, 22 policiais militares foram intimados para prestar depoimentos, dentre eles o Comandante do Bope à época dos fatos. A oitivas começariam na última segunda-feira (20), na Superintendência da PF, em Belo Horizonte. O inquérito tramita na Justiça Federal de Varginha e apura se houve excesso na atuação de todos os policiais envolvidos. Eles seriam inquiridos na condição de investigados. PF investiga operação que terminou com a morte de 26 suspeitos em Varginha Reprodução Policiais foram chamados de heróis A operação aconteceu no dia 31 de outubro de 2021. Na época do caso, a Polícia Rodoviária Federal explicou que os confrontos com os homens teriam ocorrido em duas abordagens diferentes. Na primeira, os suspeitos atacaram as equipes da PRF e da PM, sendo que 18 criminosos morreram no local. Já numa segunda chácara foi encontrada outra parte da quadrilha e, neste local, após intensa troca de tiros, oito suspeitos morreram. Suspeitos de quadrilha de assalto a bancos se dividiram em dois sítios em Varginha Arte TV Globo A capitão Layla Brunnela, da PM, destacou, na época, o fato de nenhum militar ter morrido durante a operação. "Entraram em confronto com os nossos policiais militares e tiveram a resposta devida. A gente quer evitar a todo momento confronto, não vamos aqui comemorar nenhuma morte, isso não é intenção da Polícia Militar de Minas Gerais nem da Polícia Rodoviária Federal, mas sim, uma ação precisa da nossa inteligência, trabalho conjunto da inteligência da PRF. Ações como essa sempre serão pautadas pela legalidade, a gente só fez aqui responder à altura aquele risco que nossos policiais sofreram", disse. Também na época, os policiais foram elogiados e chamados de heróis pelo governador Romeu Zema (Novo). Por outro lado, especialistas apontavam falta de transparência e cobravam investigação da conduta dos profissionais. "Operação bem-sucedida é quando não morre ninguém, é quando você tem todo mundo preso, afinal, a gente não tem pena de morte no Brasil. O fato de essas pessoas serem criminosas não justifica a morte delas. Essa é uma das operações mais chocantes em razão dessa elevada letalidade", disse, por exemplo, pesquisadora do Crisp e professora da UFMG, Ludmila Ribeiro. Parede de chácara alvo de operação ficou cravejada de tiros em Varginha Marcelo Rodrigues / EPTV Durante as duas abordagens, foram recuperados explosivos, armas longas ponto 50 e 10 fuzis, além de outras armas, munições, granadas, coletes, miguelitos e 10 veículos roubados. Veja também: Seis meses após operação com 26 mortes em MG, investigações correm sob sigilo e autoridades não informam prazo para conclusão O que se sabe sobre a operação que deixou 26 mortos em Varginha (MG) Os vídeos mais vistos do g1 Minas na semana:

FONTE: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2022/06/23/zema-diz-que-policia-federal-podera-pedir-a-justica-militar-depoimentos-de-militares-que-atuaram-em-varginha.ghtml


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