Carro voador chega ao agro na Expogrande

Urandir Fernandes de Oliveira, presidente de Dakila Pesquisas, ao lado do Skyros durante a 86ª Expogrande Crédito: Dakila Pesquisas. Decolar na vertical, voar s...

Carro voador chega ao agro na Expogrande
Carro voador chega ao agro na Expogrande (Foto: Reprodução)


Urandir Fernandes de Oliveira, presidente de Dakila Pesquisas, ao lado do Skyros durante a 86ª Expogrande Crédito: Dakila Pesquisas. Decolar na vertical, voar sem piloto e aplicar defensivos sobre a lavoura gastando uma fração do que custa um avião agrícola. Essa foi a proposta que levou o Skyros ao centro das atenções da 86ª Expogrande, realizada em 2026 em Campo Grande (MS). Apresentado como o maior carro voador agrícola autônomo do mundo, o veículo elétrico foi desenvolvido por Dakila Pesquisas em parceria com a Vertical Connect e virou um dos assuntos mais comentados da feira, segundo a organização. O lançamento foi conduzido por Urandir Fernandes de Oliveira, presidente de Dakila, que tratou a estreia como o momento mais marcante do evento. Para ele, o Skyros resume uma forma de inovar que combina eficiência no campo, menor impacto ambiental e uso inteligente da tecnologia. A Expogrande, uma das feiras agropecuárias mais tradicionais do Centro-Oeste, reúne todos os anos criadores, produtores, fornecedores e compradores na capital sul-mato-grossense. Em 2026, a vitrine de tecnologia ganhou um protagonista difícil de ignorar, tanto pelo tamanho quanto pela pintura em verde e amarelo. Como funciona o Skyros Tecnicamente, o Skyros é um eVTOL, sigla em inglês para aeronave elétrica de pouso e decolagem vertical. Sem cabine ocupada, ele foi projetado para trabalhar de forma autônoma sobre plantações. De acordo com Dakila Pesquisas, o modelo tem cerca de cinco metros de envergadura, pesa 700 quilos e leva até 400 litros de insumos agrícolas, com propulsão 100% elétrica. Como dispensa pista, o veículo pode partir de áreas próximas à própria lavoura, o que reduz deslocamentos e o intervalo entre um voo e outro. A operação sem piloto também evita a exposição de pessoas durante a aplicação aérea de defensivos. O projeto não surgiu da noite para o dia. Uma versão anterior foi apresentada em novembro de 2025 no Recanto de Havallon, na Cidade Zigurats, a aproximadamente 110 quilômetros de Campo Grande, e já tinha registro na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Menos custo e mais área coberta É na planilha do produtor que o carro voador mostra sua principal vantagem. Um avião agrícola convencional cobre em média 350 hectares por dia, com hora de voo que pode chegar a US$ 600. Segundo os desenvolvedores, o Skyros atende até 450 hectares diários, com custo operacional entre US$ 30 e US$ 34 por hora. Na prática, a operação pode sair até vinte vezes mais barata, sem abrir mão da produtividade e com menos emissões. Para quem cultiva soja, milho ou cana em grandes áreas, algo comum em Mato Grosso do Sul, a diferença pesa no custo final da safra e pode tornar a aplicação aérea viável também para propriedades de médio porte. Oitenta encomendas em poucos dias A resposta do mercado veio rápido. Ao longo da Expogrande, o estande do Skyros registrou cerca de 80 pedidos de compra, sinal de que o produtor rural sul-mato-grossense está disposto a investir em soluções que reduzam custos e aumentem o rendimento da lavoura. Investidores, empresas de tecnologia e especialistas em mobilidade aérea também passaram pelo espaço para ver o veículo de perto. Carlos Mello, sócio da Vertical Connect, aproveitou a feira para lançar o livro Aviação Elétrica, sobre os desafios do mercado de eVTOL no Brasil e no mundo. Na avaliação dele, o Skyros coloca o agronegócio brasileiro em posição estratégica na nova mobilidade aérea. As próximas etapas, segundo Mello, incluem ampliar os testes de voo e avançar na certificação com os órgãos reguladores. O carro voador Skyros, eVTOL agrícola autônomo desenvolvido por Dakila Pesquisas e Vertical Connect Crédito: Dakila Pesquisas. Do campo aos resgates e à Amazônia A pulverização é só o primeiro passo. Urandir Fernandes de Oliveira afirma que a meta é transformar o Skyros em um novo meio de transporte, capaz de atuar também em resgates e no combate a incêndios. A equipe já estuda uma versão para passageiros, voltada a regiões de acesso difícil, como a Amazônia, onde distâncias dependem hoje de estradas precárias ou de longas viagens de barco. Em emergências, como as queimadas que atingem o Pantanal, um veículo autônomo de decolagem vertical pode chegar a pontos onde aeronaves tradicionais têm dificuldade para operar. Se os testes seguirem no ritmo previsto, o país que já lidera a produção de alimentos pode ganhar protagonismo também na tecnologia aeroespacial aplicada ao campo, com um veículo criado, montado e testado em território nacional. Mais informações sobre o Skyros e os demais projetos da associação estão no site oficial de Dakila Pesquisas. Skyros tem registro na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) com Cadastro nº OS-308202301 e está totalmente pronto a ser oferecido ao mercado.